quarta-feira, 7 de junho de 2017

Reflexão no tempo

Como estou no tempo?

Se me encontro em um fragmento, interstício, intervalo do tempo,
como digo, concluo que sou uma pessoa sem tempo?
Tenho de me lembrar de que o tempo não é meu!
Participo com ele, mas não o tenho.

Por que Deus me escolheu pra viver neste tempo?
Há tempo, ainda, de fazer...
Não posso esquecer-me de que não sei por quanto tempo.

O tempo é o poder, a uniformidade da velocidade,
o equilíbrio da dinâmica, a indiferença em paralelo à realidade.
Eu já disse: ele não atrasa, não adianta, nem espera.
Sem melodia, é uma só cadência e ritmo, um só compasso;
sua música é o silêncio. Não nos avisa de nada.

Assim nos ensina a se virar (resolver, inventar, saber, descobrir...).
Também ajuda a nos livrarmos de doloridas ilusões.
Temos de senti-lo para que saibamos
a importância de realizar algo de bom oriundo do sentimento do 
bem e de ensinar, com nossas ações, uma lição de valor.

Então, o feito e o ensinamento são as únicas coisas 
que se podem manter vivas no tempo: 
o que faz a nossa passagem talvez encontrar sentido.
Qual a nossa obra? Que arte nós fazemos? Servimos de exemplo???

João Lover
07/06/2017

sábado, 27 de maio de 2017

Poema do abraço

       
Abraço

No melhor dos espaços,
vibrante-quieto mexer,
e, sem nada a dizer,
tão gostoso é o amasso,
da vida doce pedaço,
sentir o coração bater...

Um aliviar aquecido,
uma energia, um suporte,
nosso chegar da sorte,
recuperação do perdido.

O renascer num instante,
fortificar a esperança,
sentir-se bem importante
e sorrir que nem criança.

Livre-laço sem preconceito,
uma Paz que se oferece,
o que vale e prevalece,
e que fazemos perfeito.
             
João Lover
22/05/2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Jornal Nacional, de 29/03/2017: AMBIGUIDADE na manchete proferida por Bonner

Observemos a manchete: "Reino Unido dá início oficial ao processo de saída da União Europeia"

É gritante a AMBIGUIDADE acima: A União Europeia vai sair de onde ou de quê??? Quem vai sair é o Reino Unido.

O Jornal Nacional é o noticiário brasileiro de maior audiênccia (audiência internacional), precisa ter cuidado com as manchetes, que devem estar harmônicas com o padrão culto da língua e com a coerência do discurso.

Fica uma uma sugestão de manchete: O REINO UNIDO DÁ INÍCIO AO PROCESSO PELO QUAL OFICIALIZA QUE VAI SAIR DA UNIÃO EUROPEIA.

Outra sugestão: COM A ABERTURA DE PROCESSO, OFICIALMENTE, O REINO UNIDO INDICA QUE VAI SAIR DA UNIÃO EUROPEIA.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Neymar, poesia e poema

O Jogador encantado

Habilidade e ousadia:
que alegria de futebol!
No gramado da esperança,
com a Paz de uma criança,
Guerreiro feito de sol.

Nos seus passes, a certeza;
nos seus dribles, a beleza;
com seus gols, a vibração;
e a torcida é a canção
já movida pela mágica.

Ele concentra a sistemática
dos supremos vencedores,
dos maiores professores,
dos que trazem a lição.

Sabedoria e coração,
Arte que nos faz sonhar,
a emoção que vitaliza,
o que o Gênio simboliza,
o seu nome é Neymar.

João Lover
                09/03/2017

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Renata Vasconcellos: o “engasgo” – sobre ALZHEIMER – Jornal Nacional, 10/02/2017

Admiro a jornalista Renata Vasconcellos pela segurança e pela dicção perfeita. Sem dúvida, é extrema a sua competência, sobra em qualidade, por isso é âncora do jornal de maior audiência do país: o JN, da Globo.

E você me pergunta: e o “engasgo”? Aonde quero chegar? Quero chegar ao RITMO e a EUFONIA do discurso (ou da fala). O fato: a jornalista iniciou a manchete: “O teste que diagnost... Epa!...” Depois, consegue (imediatamente) concluir: “O TESTE QUE DIAGNOSTICA O ALZHEIMER EM MEIA HORA”

É claro que esse lapso de apresentação NÃO foi culpa de Renata! Vamos condenar severamente quem escreveu a manchete. Acredito que ela tomou um susto, ou seja, como alguém pode fazer uma redação tão TRAVADA (desagradável para qualquer ouvido).

Ritmo e eufonia são ganhos de tempo e massagem pros ouvidos. Valem algumas explicações entoacionais, fonológicas e melódicas: 1. Colisões de /tt/ e de /mm/ já são dois defeitos; 2. Vamos aos freios (/k/ /g/, /n ɔ s/, /k/ /y/ e /rr/). Lembremos a manchete, vou destacar os grafemas: “O teste que diagnostica o alzheimer em meia hora”. Não há suportador de trava-línguas que resista. Além disso, observamos a prosopopeia desnecessária: teste não diagnostica nada, apenas, depois do teste, é apresentado o resultado que chamam diagnóstico.

Essa manchete é realmente um absurdo. E Renata Vasconcellos é simplesmente demais.

Para o redator/editor, seja lá quem for, estou com raiva dele, deixo uma sugestão de manchete, ou melhor, de cortada: O diagnóstico do alzheimer em meia hora.

                                      João Lover