quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dica nº 10, Língua Portuguesa: verbo OBEDECER


Mais uma manchete do site MSN (aquele quando a gente sai do Hotmail), contida no link Giro das Famosidades. Vejamos: Justiça obriga Paula Fernandes a obedecer gravadora de Leonardo.

Alguns detalhes técnicos: 1. sujeito: Justiça; 2. no predicado, primeiro vem a regência do verbo obrigar, cujo objeto direto é Paula Fernandes, e temos uma oração substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo, que funciona como objeto indireto do verbo obrigar, iniciada pelo verbo obedecer antecedido da proposição a exigida pelo verbo obrigar (observe: a obedecer gravadora de Leonardo).

Verifica-se que há um erro de regência, pois o verbo obedecer é transitivo indireto e rege a preposição a. Então, a manchete gramaticalmente correta seria: Justiça obriga Paula Fernandes a obedecer à gravadora de Leonardo. Nota-se que aparece o acento grave indicador da crase. Existe a contração entre a preposição "a" exigida pelo verbo obedecer e o artigo "a" admitido pela palavra gravadora.

domingo, 23 de setembro de 2012

Floresta selvagem

Vejo esse jeito que tens
e penso em mais de cem
coisas para fazer:
uma vontade de morder,
outra de abraçar...

Por dentro, um gritar
como se fosse infinito,
um querer destemido,
e se passa a sonhar.

Imagina-se a lua
na floresta selvagem,
e Você toda nua,
a mais bela imagem.

Teu olhar uma flecha,
a volúpia e o fogo,
apetite de lobo
na carne em festa.

Teu quê de enigmático
exerce um poder,
cria mais um lunático
pra sentir teu prazer.
  João Lover (23/9/2012)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ponto de fuga

Depois que o tempo passa,
aquilo perde a graça
como "a mesma praça,
o mesmo banco, 
as mesmas flores,
o mesmo jardim",
levando o encanto.
Os fatores, enfim,
traduzem as mudanças;
solta-se o elo, as alianças.

E o imaginário
não é mais do relicário:
apenas, uma lembrança.

Perde-se o jeito 
e também o sentido,
no peito, o gás comprimido
some agora desfeito...

Um irônico sorriso
faz no silêncio seu guiso,
no caminho da liberdade,
sem pensar em disputa,
e ocorre a fuga
do que não é verdade.
  João Lover (19/09/12)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Escrever e Língua Portuguesa


Aproveitando algumas colocações dos amigos Antônio Saracura (Escritor sergipano) e Valter Ferreira (Palmarense, Prof. de História), vou fazer alguns comentários sobre essa coisa de escrever.

Vem a pergunta: qual a essência do escrito? Tudo começa de uma ideia. “De onde ela vem”? Eclode conduzida pelo “poder da criação”. Existe o canal, a forma e o conteúdo: três coisas inseparáveis para que o pensamento se concretize fisicamente e possa chegar ao público, e, então, ocorre a multiplicidade, e nós, autores, não somos mais donos da obra. Para escrever, não há segredo nem fórmula: tudo vem do conhecimento e da mente do homem (quanto mais conhecimento e mais inteligência, maior a possibilidade de uma mensagem “eficaz”).

O cerne do texto não é a correção gramatical. O importante é aquilo que o escrito diz. E não se deve esquecer de que existe o código, a mensagem, o emissor e o receptor. Quem trabalha com as letras deve-se preocupar com a perfeição e com o detalhe (fatores da Arte). Como diria Fernando Sabino: “Não há nada mais aliviante do que já ter escrito.”

Vejamos: código, canal, mensagem, emissor, receptor, forma e conteúdo. Partindo do entendimento de que o escritor não escreve só para ele mesmo, esse artífice passa a ser uma referência, por isso é fundamental não “errar”, gramaticalmente falando, porque alguém se vai guiar pelo escritor. Nesse caso, até a ortografia é importante. No entanto, a grande questão do escrever se chama coerência: diz respeito à lógica de sentido do texto. Vou citar uma pequena questão regencial: “Amigo, ela arrasou contido”. Veja, se ela arrasou o amigo, deve ser dito de outra maneira: “Amigo, ela te arrasou.”; ou “Amigo, ela arrasou você.” Se dissermos arrasou “contigo” ou “com você”, tecnicamente, estamos dizendo que fizeram o arraso juntos.

Se alguém está tecnicamente preparado em relação à Língua Portuguesa, vai refletir uma melhor mensagem e um aperfeiçoamento da forma em alguns sentidos, há, então, a possibilidade de bons conteúdos.

Existem ainda duas coisas fundamentais: o escritor ser pronto, saber o que escreve; a outra é o leitor está preparado para conhecer o escrito em "toda" sua possibilidade. Nisso tudo, não podemos esquecer que o importante é fazer. Sucesso, apenas uma consequência. A criação, inexplicável. A perfeição, a infinita busca. O que era desconhecido pode ser um encanto inesquecível provocado pelo que você foi capaz de dizer.

sábado, 8 de setembro de 2012

A saia e a moça

O balançado da saia,
essa passada, menina,
é algo que nos atrapalha
e também nos alucina!

Se não encontro a rima,
tô maluco e perdido,
um poeta em perigo,
o castigo me anima.

Ao entrar nesse clima,
a agonia se agita,
uma vontade palpita,
simplesmente domina.

Monumento pra artista
(talvez um Renascentista),
todo olhar se arrisca
nessas formas perfeitas.

Curvas sem ser estreitas,
recheios dentro da saia,
quase que se desmaia,
apenas ver não se aceita.

Beleza sem a receita,
não há como descrever,
e causa tanto prazer
na hora que se espreita.

Afrodite em carne e osso,
sai quebrando os pescoços
dos homens pela cidade,
poderosa essa beldade.
 
Inútil é ser pudico.
Será mentira ou verdade
dizer que a felicidade
vai perdida aí contigo?...
   João Lover (2002)