sábado, 26 de maio de 2012

O olhar impossível...

Absorvi teu olhar...

Feito néctar de beija-flor
e de abelha que faz o mel
que nem os lábios do teu amor.

Atingindo por dentro, rasgando,
comendo a carne vibrante, agitada,
incitantemente atacada
(escorrendo sangue fervendo),
delicioso ferimento,
eclosão de amor e desejo;
para onde olho te vejo
e me cego nesse brilho,
cego por entre tiros,
é delirante o lampejo.

O grande maior segredo
impossível, inexistente,
um estro sempre crescente
que surge de manhã cedo.
   João Lover (1998)

domingo, 20 de maio de 2012

Faces da Internet e das tecnologias

Estava conversando com Jean Marcel, e Ele me falou em manipulação de massa... Vem a pergunta: a Internet estaria manipulando a massa humana ou a massa estaria movimentando e fazendo as coisas acontecerem por meio da Internet?
               
Observa-se, ainda, que o veículo de comunicação mais poderoso é a televisão, mas, num futuro, não muito distante, perderá esse posto...

Todos nós sabemos que a informação é o fator mais relevante nessa expansão da informática: comunicações eletrônicas, Internet (mundo virtual). Essa coisa toda acessível a todos, isso é uma maravilha. No entanto, existe outro lado: poderosos arquivos se formam e contêm informações sobre bilhões de pessoas; passamos também a nos comunicar com um número acentuado de estranhos... E, em muitas ocasiões, não se pode confiar nem naqueles que podemos tocar! Isso não é o pior! Vejamos a seguir.

Terrivelmente, a Internet e as tecnologias eletrônicas estão alienando as cabeças. Vou somente exemplificar:

1. Hoje, horas e horas são passadas diante de um computador, notebook, tablet, celular, iphoneipad, etc. em conversas; enviam-se mensagens, fotos, vídeos, etc., com impressionante velocidade. Quanto isso toma do nosso tempo em detrimento do mundo concreto (em que se pode sentir o calor abstrato do sentimento)? Mensagens bonitas são interessantes, conversas, fotos, sorrisos... E as ações? Como realmente podemos sentir, perceber o outro se ele não está perto? Tudo eletrônico (está numa máquina). E o olho no olho?

2. Agora, coloca-se, por exemplo, 1000 músicas em um pen drive, mas não dá tempo pra escutar. E prestar atenção na letra? Não possuímos tempo de absorver esse mar de coisas, que também elevam e muito o mercado consumista. A música é só um exemplo: quantos jovens se concentram, nos dias atuais, para escutar realmente uma música?

3. Os estudantes e outros pesquisadores estão desaprendendo a escrita (a venda de canetas deve ter diminuído bastante). O mais grave: a preguiça de pensar, acredito que a grande maioria sofre disso. Como o pesquisador vai-se preocupar em ler o texto, em se apropriar daquele conteúdo (aumentando o conhecimento) se o GOOGLE dará tudo pronto a qualquer momento???

Não vou concluir, apenas lembrar: deve-se acompanhar a evolução sem ser escravo nem alienado pela tecnologia. É preciso usar essas ferramentas com inteligência, para não sermos, de certo modo, manipulados. Necessário, antes de tudo, viver e aproveitar o dia (carpe diem). Será que estamos aproveitando?

domingo, 13 de maio de 2012

Todos os dias, Mamãe


A vida eclode sob o manto sagrado da proteção, que concentra o esplendor da ternura; e os primeiros momentos, a partir do risco de estar neste mundo, são monitorados e investidos de ações sublimes movidas pelo ‘sentimento maior’. Esse sentimento e essa segurança, na verdade, são eternos.

A Mãe é o abrigo, a Paz e a liberdade. É quem ensina a luta incansável e nos fortalece pra vida. O carinho da Mãe é incondicional, instintivo, consciente, real: a mais doce ilusão que precisamos sentir.

Em todos os dias, Ela é tudo: o melhor deste mundo tão cruel e difícil, a única certeza que se sente num abraço, o laço da emoção infinita, a maravilhosa vista impossível do Amor. Esse Amor que, a todo momento, buscamos sentir. Mãe, símbolo do mais puro, instrumento de Deus pra que não haja vazio. Todos os dias, que tudo seja o teu sonho, Mamãe! Supremo é o teu fazer. Sou feliz porque queres um sorriso pra mim.

Feliz Dia das Mães (todos os dias)!

João Lover

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vivência poética

Eu faço versos porque sinto...
Às vezes minto, e sempre penso
uma mensagem e o momento
para um alento bem-vindo.


E nesses versos me seguro
como se estivesse, num muro,
atravessando um grande abismo
entre a dor e o sorriso,
não podendo fugir de nenhum;
as emoções são o número um,
fazem-me ver que inda vivo.


Versos mais que precisos,
preciso em formas e jeitos,
libertos dos preconceitos,
sendo eficazes e atrevidos.


Perdido nesse dilema,
vou pagando essa pena
com minha Paz introspecta,
que o meu ser sedimenta:
minha vivência poética.
  João Lover (2002)