quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dica da Língua Portuguesa n° 2: Verbo REMEDIAR


Verbo REMEDIAR e os outros:

Os verbos que terminam em IAR, como, por exemplo, o verbo fatiar, são regulares, conjugam-se sem que aconteçam alterações em seus radicais (radical, você sabe, chamado também de semantema, lexema ou morfema lexical, é aquela parte da palavra que traz o seu significado). 


As exceções são os verbos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar: esses seguem o modelo dos verbos terminados em EAR, como, por exemplo, o verbo semear. Então vamos conjugar o verbo REMEDIAR no presente do indicativo: eu remedeio, tu remedeias, ele remedeia, nós remediamos, vós remediais, eles remedeiam


Para decorar essas cinco ovelhas desgarradas, use a palavra mnemônica MÁRIO. E se alguém perguntar se você faz alguma média de vez em quando, diga eu medeio
Engraçado, não é! Vejamos, a seguir, o poema Nas garras do abismo, que contempla flexões em 3ª pessoa de quatro desses verbos:


Nas garras do abismo


Na espera derradeira,
numa absurda loucura...
à beira da sepultura,
a dor não se remedeia...

Isso, como uma sereia,
acontece por encanto...
Ninguém sabe do pranto
que o peito incendeia.

Nas garras do abismo,
pelo abraço vagueia.
E o corpo tá em sismo,
bem sedento para a ceia.

Nada agora se medeia...
É forte, é morte, é vida,
Não há fuga nem saída
do amor que se anseia.           
  João Lover (2002)

sábado, 24 de setembro de 2011

Novela, mania de brasileiro: “Um cordel encantado”

Esta novela das seis: Cordel encantado, que prendeu a atenção dos brasileiros, apresentou um enredo escrito com rara inteligência. Constituiu-se numa trama temperada com ingredientes de várias histórias da ficção e outras. Para quem conhece ou não conhece um pouco de literatura e de história, podemos lembrar: A gata borralheira (Cinderela); Lampião; O homem da máscara de ferro; São Francisco e Santa Clara; Antônio Conselheiro e Canudos; A bela adormecida; O conde de Monte Cristo; O bem amado; Grande sertão: veredas; e outras que, por acaso, não percebi.

Um cenário de reis, príncipes, rainhas, princesas, plebeus, sertanejos, heróis, mocinhas, rapazes, senhores, senhoras, coadjuvantes, políticos, delegados, repórteres, soldados, padres, vilões (bandidos), bruxas, etc. Faltaram os veados e as prostitutas...

Apesar de qualquer sucesso, a conclusão é complicada, ela é o último parâmetro ao resultado. Quase toda novela da televisão brasileira comete seus pecados no encerramento, ou seja, quase sempre os finais de novela não agradam ou são mesmo ruins. Cordel encantado terminou com um lastimável roteiro. Parece até que houve preguiça de pensar. Vamos a alguns pormenores:

1. Timóteo ainda debilitado raptou Açucena, sem arma, sem que Ela desse um grito, um empurrão, sem barulho, conseguiu amarrá-la;

2.  o chute e o empurrão dados por Ela em Timóteo e os gritos já na Igreja poderiam ser executados antes, na casa dela;

3. Timóteo pregou todas as janelas e portas da Igreja (bem lacradas), sem ruído, naquela Vila calma, ninguém escutou (onde ele arrumou os pregos e as tábuas???);

4. o fogo começa na Igreja (que fica afastada) e depois consome, ninguém sabe como, toda a Vila. Até uma cruz, localizada à distância, estava pegando fogo;

5. numa Vila toda com casas de madeira e de pau-a-pique (taipa), ninguém apareceu com um machado, uma picareta, etc., que pudesse quebrar a porta da igreja e entrar (ridículos baldes de água jogados nas paredes da igreja, por fora);

6. O tiro que Zói Furado deu na Duquesa... o Capitão Herculano (Rei do Cangaço, homem de habilidade) o tinha na mira e não atirou, deixou-o escapar... Como Zói Furado conheceu o suposto dono da fazenda que apareceu no final???;

7. Zói Furado foi o último vilão, que poderia dar um tempero, um clímax final... permaneceu em cenas sem sentido e sem graça (ser prefeito??? kkk)...

Não vou falar mais, está ficando cansativo... Lamento! A qualidade da obra é pra se manter até o fim. Isso deve nortear a preocupação do artista. Quando se perde essa preocupação, escapam preciosos detalhes, e a obra perde grande parte do seu brilho.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A vitória e a lição

Cumprida a nossa parte,
com arte e sem alarde,
aqui dentro, nos bate
uma coisa bem positiva.


A sofrida expectativa
transforma-se em triunfo.
confirmados os trunfos,
comemora-se a vitória.


Vivemos uma história
tão carregada de lutas,
uma passagem curta
nesse tempo constante.


Nosso olhar mais brilhante
nas emoções dessa vida,
onde a dor e as feridas
são coisas determinantes...


Uma lição abre horizontes
e é o nosso melhor feito,
melhoria pros defeitos
dessa nossa humanidade.


É construir uma verdade,
é doar a grande herança,
trazer nova esperança,
deixar sempre uma saudade...
      João Lover



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Soneto para a Deusa do Voleibol (hoje, Comentarista da Rede Globo)

Arte, liberdade e beleza...
É real, de sonhos, encantada...
Tem no olhar uma firmeza,
suprema força e mãos sagradas.


A magia do jogo de Leila
traz a Luz vibrante da emoção,
mostra a garra duma Nação,
vitória, fascínio e centelha.


A viva verve do voleibol
é expressada nessa Mulher
como brilha nas manhãs o Sol.


A sua glória é infinita
como um sonho que se quer
e o amor que se acredita.
      João Lover (2002)


Vale uma OBSERVAÇÃO:
Olimpíadas de Atenas (2004)... Assim como na vida, existe a injustiça também no voleibol. 
O Vôlei Feminino do Brasil, na semifinal, vencia a Rússia, no quarto sete, por 24 a 19, mas perdeu esse sete e o jogo no tie-break, não ganhou nem o bronze: sucumbiu ainda na disputa do terceiro lugar.
Os deuses do voleibol, os espíritos, os ventos se revoltaram, porque LEILA não estava entre as atletas daquela Seleção Brasileira de Vôlei. Isso foi uma das maiores injustiças do esporte.
Foi uma grande tristeza aquela derrota, mas achei foi pouco e merecido castigo para o Téc. José Roberto Guimarães, que, depois disso, passou a ser menos calado e, no caso, com mais atitude, ainda bem!
Fica registrada a minha fúria por essa irreparável injustiça.
Leila, Você foi a melhor que eu já vi jogar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Esmeraldo, trompete que emociona. De Palmares ao mundo

A música possui uma linguagem universal e nos toca de uma forma inexplicável como a paixão. Dentre os seus elementos, um nos prende, vicia nosso cérebro e nos encanta, massageia nossa mente como uma brisa em ondas de perfeita simetria, faz a gente se emocionar e flutuar: isso é a MELODIA.

A melodia é tão poderosa que faz uma letra simples, muitas vezes, tornar-se um clássico em matéria de fonograma (letra e música)... Uma melodia vinda do solo do TROMPETE de Esmeraldo possui também um imensurável poder... e eu tive o privilégio de curtir esse maravilhoso som na cidade de Palmares-PE. Sou contemporâneo desse músico fantástico. 


Estava quase a me retirar do Bar quando Ele chegou juntamente com seu amigo Samuel tecladista. Nesse momento, ficou impossível sair. A primeira música foi Os seus botões (Roberto Carlos, 1976); e fui tomado por um arrepio de quem conhece e se emociona por meio de uma sublime arte.

Esmeraldo é um desses milhares de talentos perdidos nesse Brasil. Músico do mais alto gabarito, assim como, por exemplo, o guitarrista Vavá, que é outro excepcional.

Encontro Esmeraldo em Palmares, mas poderia o encontrar num grande teatro numa capital ou num grande show para uma enorme plateia... Às vezes ou sempre, como diz a música de Lulu Santos, “somos vítimas das circunstâncias”. E o artista pode não chegar aos píncaros do sucesso, mas o valor de sua arte é da mais vibrante reverência.

E o que é válido, Esmeraldo? É válido um momento ao som de sua música, do seu sopro no contraste do frio metal com o calor dos lábios e das mãos do Artista: isso é um pedaço da vida que Você insubstituivelmente nos proporciona.
                   João Lover

Jogo da vida

A cada passo do jogo,
não se pode dar vacilo,
não se deve permiti-lo,
pois se leva um sufoco.


Só os fortes são atentos,
os fracos despreocupados,
outros, se acomodados...
ora vivem se perdendo.


Onde se encontra o prêmio?
Quem será o vencedor?
O que é ser perdedor?
No espelho... um silêncio...


Os valores são os quais
dão à vida um bom sentido,
nesse ludo a bem mais...
quem não ama tá perdido.
       João Lover

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O prazer da flor

Linda flor,
não sei se alguém a descobriu,
ainda quer o prazer
que, por acaso, não sentiu.


Como está seu coração?
Aguardando a explosão...
contida não sei por quê,
fazendo-a sofrer...
a imaginar o que não vem.


Tem que ir mais além
libertar seu querer,
até chegar a um lugar
onde irá se soltar
e explodir de prazer.


É uma menina grande,
sonhando e não vivendo,
o tempo está passando,
os momentos vão-se perdendo.


A felicidade, pede o coração,
que executa todo dia,
numa doce melodia,
aquela mesma canção...
  João Lover (1995)







terça-feira, 6 de setembro de 2011

A idade e a vaidade

A idade mata a vaidade,
e os sonhos ficam distantes,
e nada é mais como antes...
somente há grande saudade...


O dia começa bem cedo.
Nosso tempo nunca espera,
traz no compasso o segredo,
carrega nossas quimeras.


Ela não entra de férias,
quando menos... já é tarde;
e a inexorável vaidade
ora já se desespera...
     João Lover

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Manjar de carne

Quando Deus fez as curvas,
Ele estava na chuva,
brincando, inspirado,
pensou num bailado:
o cacho de uvas
embalado pelo vento
e beijado por um pássaro.

O próximo passo
foi dar andamento
ao Colossal Intento.

E o Dono da perfeição
executa a impulsão,
cria o mais sedutor Manjar
e manda à “civilização”
o deslumbrante Exemplar
em Carne, maciez, beleza
(usou toda Destreza
nos singulares contornos).

Um impossível entorno
esse Ser apresenta:
imagem que ilude,
nos olhos, um grude,
o coração se apimenta.

E a mais voraz tormenta
do desejo acontece,
e o sangue se aquece
num pulsar desenfreado.

Um olhar concentrado
de libido e frenesi,
e os lábios a sorrir
ao tocarem essa pele.

O êxtase que isso impele
nos arrebata da Terra,
para outra atmosfera,
ao mistério mais distante,
numa paz extravagante.

Esse Corpo, num instante,
sem nenhum adereço,
preferido endereço,
sagrado esconderijo,
é tudo que não tem preço
e alguém diz não divido,
mais que por sobrevivência,
num devorar desvairado,
na selvagem apetência,
de prazer iluminado.
       João Lover